Calendário Feminista – 01/05 Maio Laranja – Combate à Exploração e Abuso Sexual Infantil

O Maio Laranja surgiu como uma mobilização nacional voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Sua origem está diretamente relacionada ao Caso Araceli, um episódio que chocou o país e evidenciou a necessidade de dar visibilidade a esse tipo de violência. Em memória desse caso, foi instituído o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, por meio da Lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000. Desde então, a data se consolidou como um marco anual de mobilização social, dando origem ao Maio Laranja, que reúne ações de conscientização, prevenção e promoção da proteção integral de crianças e adolescentes em todo o país.

Mais do que lembrar uma data, esse momento nos provoca a pensar sobre como essa violência se manifesta no cotidiano — muitas vezes de forma silenciosa, disfarçada ou até naturalizada. Nem sempre ela aparece de maneira explícita. Em muitos casos, está presente em situações de constrangimento, exposição, sexualização precoce ou em falas e comportamentos que desrespeitam limites.

Essas experiências deixam marcas. Afetam a forma como crianças e adolescentes se percebem, se relacionam e se posicionam no mundo. Por isso, falar sobre o tema é fundamental. O silêncio, muitas vezes, é o que mantém a violência acontecendo.

A escola, a família e a sociedade como um todo têm um papel importante nesse processo. Criar espaços de escuta, diálogo e orientação pode fazer a diferença. Isso envolve não apenas identificar situações de risco, mas também promover respeito, cuidado e consciência desde cedo.

Outro ponto essencial é entender que a responsabilidade pela proteção não deve recair apenas sobre a vítima. É preciso construir uma cultura que responsabilize comportamentos violentos e que valorize relações mais saudáveis e seguras.

Falar sobre o Maio Laranja, portanto, não é apenas reforçar uma campanha. É assumir um compromisso ético e político com a proteção integral de crianças e adolescentes. É reconhecer que o silêncio também é uma forma de violência e que a prevenção começa na forma como educamos, escutamos e nos posicionamos diante dessas realidades.

Mais do que denunciar, é preciso transformar práticas, consciências e responsabilidades.

Por Patrícia Ferreira de Mello Oreques – Graduada em Pedagogia e mestranda de Políticas Sociais e Direitos Humanos da UCPel.

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