30 dias sem Letícia: memória, denúncia e resistência contra o feminicídio no extremo Sul do RS

Trinta dias se passaram desde que Letícia Foster Rodrigues teve sua vida brutalmente interrompida por um feminicídio. Trinta dias de dor, indignação e silêncio imposto a uma mulher que tinha tanto a dizer, a viver e a compartilhar. Para o Observatório NOSOTRAS, o tempo não apaga a importância de manter a memória. Pelo contrário: reforça a necessidade de contar sua história, de honrar sua existência e de transformar luto em denúncia, para que nenhuma mulher vítima de feminicídio seja reduzida a estatística. Esta homenagem é também um ato de resistência e um chamado à sociedade, para que cada nome seja lembrado, cada vida seja valorizada e cada morte por feminicídio no extremo Sul do Rio Grande do Sul jamais caia no esquecimento.

Letícia Foster Rodrigues, natural de Canguçu, era daquelas pessoas que gostavam de viver de verdade. Amava estar com gente, aproveitar a vida, rir e curtir cada momento. Sempre de bem com a vida, transformava qualquer encontro em alegria só pela presença.

Companheira, amiga, divertida e muito sorridente, valorizava a família, os amigos e, acima de tudo, os filhos, que eram o maior amor da sua vida. Carinhosa, extrovertida, amorosa e brincalhona, Letícia era alguém com quem sempre se podia contar. Além de irmã, era amiga, parceria constante nas horas boas e ruins, sempre juntas, como gostava de dizer, até o infinito.

O trabalho que mais gostava de fazer era dar aulas de zumba, atividade que exerceu por cerca de dois a três anos. Escolheu a Educação Física por gostar de movimento, de estar em ação. Dançar fazia parte de quem ela era. Seu último trabalho foi no escritório de sua amiga Janaína Ribes. Também gostava muito de cozinhar para quem amava, dizia que esse era o seu ato de amor.

Letícia gostava de sair, caminhar pela cidade ou pelos matos, rir, dançar e se sentir livre. Viveu intensamente, do jeito dela, deixando lembranças fortes e uma saudade imensa em quem teve o privilégio de conviver com ela.

Por Liziane Stoelben, jornalista da Câmara Vereadores de Canguçu e Equipe de Comunicação do Observatório NOSOTRAS.

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