21 dias de ativismo pelo fim da violência contra Mulheres e Meninas – Dia 21 – 10/12
Os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres no Brasil, teve seu inicio no dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, de modo a contemplar a especificidade da violência estrutural que incide sobre mulheres negras. Tal ampliação evidencia a necessidade de uma abordagem que considere gênero, raça e colonialidade como dimensões indissociáveis na análise da realidade brasileira.
A inclusão do 20 de novembro como marco inicial reforça a centralidade da população negra no debate sobre violência. Dados nacionais demonstram que mulheres negras são proporcionalmente atingidas por feminicídios, violências domésticas, agressões psicológicas, institucionais e simbólicas. O conceito de interseccionalidade, elaborado por Kimberlé Crenshaw, torna-se fundamental para compreender a sobreposição de sistemas opressivos que expõem essas mulheres a vulnerabilidades múltiplas. Nesse sentido, o enfrentamento à violência exige reconhecer que racismo e sexismo operam conjuntamente na estrutura social
brasileira. Assim, os 21 dias de ativismo assumem dimensão pedagógica e política ao reivindicar não apenas o combate à violência, mas a reconstrução de entendimentos que valorizem as experiências de mulheres negras, indígenas, periféricas e trans.
Nesse debate, o pensamento de Lélia Gonzalez é central ao evidenciar que a sociedade brasileira reproduz diversas violencias e opressões que marginalizam as mulheres negras tanto no cotidiano quanto nas instituições. De modo complementar, Sueli Carneiro amplia essa discussão ao conceituar o epistemicídio, entendido como a supressão e a deslegitimação dos conhecimentos produzidos por intelectuais negras. A campanha, ao incorporar o 20 de ovembro, reafirma a urgência de enfrentar não apenas as violências físicas, mas também as violências simbólicas e epistêmicas que estruturam o racismo e o sexismo no país.
No contexto brasileiro, os 21 Dias de Ativismo mobilizam uma série de datas significativas, como o 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres), o 6 de dezembro (Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres) e o 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). Esse período busca fortalecer políticas públicas, ampliar redes de apoio e estimular práticas educativas permanentes.
Ações institucionais desempenham papel central nesse processo, destacando-se a atuação de universidades públicas como a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O ciclo culmina em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, reafirmando o princípio de que a violência de gênero constitui uma grave violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e um impedimento à plena cidadania.
Nossa voz, nossa vez, que enfatiza o engajamento coletivo e o papel da juventude ativista, Focar na juventude é abordar a violência em sua gênese e prevenir a exposição a diversas formas de agressão, cujas vítimas, muitas vezes, são meninas e jovens mulheres. A juventude é reconhecida como um grande transformador social, onde atua como um agente assim, desnaturalizando as práticas violentas e atuante para a promoção da equidade de gênero, projetando um futuro em que a DUDH seja integralmente cumprida.
A UFPel, comprometida com a promoção dos direitos humanos, tem assumido posição de parceira ativa no enfrentamento à violência contra as mulheres, desenvolvendo projetos de extensão, pesquisa, formação e ações intersetoriais que contribuem para a prevenção, conscientização e acolhimento das vítimas. Seu engajamento reforça o papel da educação superior pública como agente de transformação social e promoção da equidade de gênero.
Assim, os 21 Dias de Ativismo configuram-se, como uma agenda política, educativa e de resistência, cujo compromisso ultrapassa a mobilização simbólica e se materializa em ações concretas de enfrentamento ao racismo, ao sexismo e às desigualdades estruturais. A participação de instituições como a UFPel fortalece esse processo ao articular saberes, práticas e políticas que garantam que todas as mulheres, em sua multiplicidade, possam viver com dignidade, liberdade e segurança.
Assista o vídeo da Arena Sociológica em conjunto com o Observatório NOSOTRAS na campanha 21 Vozes, 21 Dias: https://www.youtube.com/watch?v=I9ygaCbdAQg
Por Janaize Batalha Neves
Referências
BRASIL. Lei n. 14.192, de 4 de agosto de 2021. Estabelece normas para prevenir, reprimir
e combater a violência política contra a mulher. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2021.
CARNEIRO, Sueli. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro,
CARNEIRO, Sueli. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América
Latina a partir de uma perspectiva de gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.).
Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. p.
313–324.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: GONZALEZ, Lélia. Por
um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro:
Zahar, 2020. p. 113–124.
CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da
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ONU MULHERES. 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.
Organização das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das
Mulheres. 2019. Disponível em: https://www.onumulheres.org.br/. Acesso em: 26/11/ 2025.
