Calendário Feminista – 24/05 Dia Internacional da Mulher Antimilitarista

O Dia Internacional da Mulher Antimilitarista é celebrado anualmente em 24 de maio. A data, também conhecida como Dia Internacional das Mulheres pela Paz e pelo Antimilitarismo, foi estabelecida internacionalmente em 1980 durante uma conferência na Dinamarca e destaca a luta histórica de movimentos feministas contra guerras, conflitos armados, o aumento dos gastos militares e o patriarcado – pilar essencial da própria Instituição Militar no mundo todo.

O patriarcado impõe uma certa masculinidade e uma certa feminilidade e atribui características ligadas aos sexos pelas quais a subordinação das mulheres parece natural e normal. Quando falamos de patriarcado, então, falamos de relações de dominação entre os sexos, nas quais as mulheres estão subordinadas ao poder dos homens, mas nas quais também se impõem identidades masculinas estritas que os homens devem seguir. Ao mesmo tempo, esta dominação patriarcal cruza-se com a imposição de estruturas econômicas e políticas globais através da força e do militarismo. O militarismo pode ser definido como um conjunto de valores, atitudes e ações baseadas na centralidade da violência armada e da força como forma de eliminação e punição contra o que é apresentado ou percebido como inimigo ou ameaça à própria existência de uma ordem. social (CAMPS-FEBRER, 2016, p.23).

Portanto, quando pensamos em Guerra, associamos o tema inevitavelmente aos homens. Entretanto, devemos ter em mente que as mulheres também fazem parte especial dessas trincheiras de combate. Já aconteceram milhares de guerras – pequenas e grandes, famosas e desconhecidas. Tudo o que sabemos da guerra conhecemos por uma ‘’voz masculina’’. Somos todos prisioneiros de representações e sensações ‘’masculinas’’ da guerra. Contudo, essa data é fulcral pois surge exatamente na Primeira Guerra Mundial (1914–1918), quando mulheres de diversos países se uniram para protestar contra o conflito e defender a paz.

Em 1980, um encontro feminista europeu decidiu criar um dia de ação global para marcar oposição ao militarismo e apoiar mulheres vítimas de violência em áreas de conflito. Tal movimento reitera que o militarismo e o sistema patriarcal estão intimamente conectados, justamente por reforçarem estruturas societárias baseadas na hierarquia e dominação, e principalmente, no uso da força – o que reforça, cotidianamente até hoje, culturas e padrões de violência muito fortes de violência contra as mulheres na sociedade do mundo inteiro.

É fundamental que as mulheres compartilhem dessa luta que começou com as vítimas das sangrentas trincheiras de combate há anos atrás. Pautas como a desmilitarização através dos cortes de recursos para orçamentos militares, resistência pela denúncia do impacto desproporcional das guerras sobre mulheres e crianças, que frequentemente compõem a maior parte das populações refugiadas e, sobretudo, um fomento à cultura de paz através da promoção de resoluções de conflitos sem o uso de armas e o incentivo à liderança feminina em negociações de paz devem ser defendidos não só no dia 24 de Maio, mas todos os dias.

Por Laura Menon – Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Pelotas, Pós-Graduada em Criminologia pela PUCRS, graduanda em Direito e Mestranda em Política Social e Direitos Humanos pela Universidade Católica de Pelotas.

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